Palavra de Vida de outubro de 1981

O comentário de Chiara Lubich a estas exigentes palavras de Jesus a Pedro, nos convidam a fazer do perdão um estilo de vida a fim de que o mal não tenha a última palavra. 

Você se lembra a quem Jesus se dirige com estas palavras? Ele responde a Pedro que, após ter ouvido palavras maravilhosas de sua boca, lhe faz a pergunta: “Senhor, quantas vezes terei que perdoar a meu irmão, se pecar contra mim? Até sete vezes?”.
E Jesus: “Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes”.
Pedro, provavelmente sob a influência da pregação do Mestre – e bom e generoso como era – queria lançar-se em sua nova vida fazendo algo de excepcional, chegando a perdoar até sete vezes. De fato, no judaísmo admitia-se perdoar duas ou três vezes, quatro no máximo.
Mas respondendo: “... até setenta vezes sete” Jesus diz que o perdão deve ser ilimitado. É preciso perdoar sempre.

“Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes”.

Esta frase relembra o canto bíblico de Lamech, um descendente de Adão: “Sete vezes Caim será vingado, mas Lamech setenta e sete”. Assim começa a difusão do ódio no relacionamento entre os homens: é algo que cresce e se avoluma com um rio na cheia.
A esta difusão do mal, Jesus contrapõe o perdão sem limites, incondicional e capaz de romper a espiral da violência.
O perdão é a única solução capaz de deter a desordem e garantir à humanidade um futuro que não seja a autodestruição.

“Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes”.

Perdoar. Perdoar sempre.
O perdão não é o esquecimento que muitas vezes significa não querer olhar a realidade face a face. O perdão não é fraqueza, não é deixar de considerar uma ofensa por medo de quem a cometeu. Perdoar não consiste em negar aquilo que é grave, ou julgar bom aquilo que é mal.
Perdão não é indiferença. O perdão é um ato de vontade e de lucidez – e, portanto de liberdade – que consiste em acolher o irmão assim como ele é, apesar do mal que nos tenha feito. Acolhê-lo como Deus acolhe a nós pecadores apesar dos nossos defeitos.
O perdão não consiste em responder a uma ofensa com outra ofensa, mas em fazer aquilo que diz São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem”.
O perdão consiste em dar a quem lhe prejudica, a possibilidade de estabelecer um novo relacionamento com você; consiste, portanto, em oferecer a ambos a possibilidade de recomeçar a vida, de ter um futuro onde o mal não tenha a última palavra.

“Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete vezes”.

Como é que você fará, então, para viver esta frase?
Ela é uma resposta de Jesus a Pedro que lhe havia perguntado: “Quantas vezes terei que perdoar a meu irmão?” “... a meu irmão”.
Ao dar esta resposta, portanto, Jesus pensava sobretudo no relacionamento entre os cristãos, entre os membros da mesma comunidade. Por isso, é antes de tudo com os outros irmãos na fé que você deve agir desta maneira: na família, no trabalho, na escola, ou na sua comunidade.
Você bem sabe que temos a tendência de querer retribuir a ofensa sofrida com um ato ou uma palavra à altura. Sabe também que por diversidade de temperamento, por nervosismo ou por outras causas, as faltas de amor podem ser frequentes entre pessoas que vivem juntas. Pois bem, lembre-se de que só uma atitude de perdão, sempre renovada, pode manter a paz e a unidade entre os irmãos. 
Você terá sempre a tendência a pensar nos defeitos dos seus irmãos, a lembrar do passado deles, a pretender que sejam diferentes daquilo que são... Todavia é preciso acostumar-se a vê-los como pessoas novas, aceitando-os sempre, logo e totalmente, mesmo quando não se arrependem.
Você poderá dizer: “Mas isto é difícil”. Não há dúvida. Mas é esta justamente a beleza do cristianismo. Não acaso você está seguindo um Deus que, morrendo na cruz, pediu a seu Pai que perdoasse os que o haviam crucificado. Coragem. Comece uma vida assim. Eu lhe garanto uma paz e uma tão grande alegria como você jamais experimentou.

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