Castelgandolfo, 1º de setembro de 1999

Na celebração da Jornada Mundial do Doente, desejada por João Paulo II em 1992, propomos este significativo escrito de Chiara Lubich.

[...]
Quando se manifesta uma doença qualquer, somos convidados a acreditar e a dizer que tudo é amor, amor de Deus, lembrando Santa Teresa do Menino Jesus que, no momento em que teve a primeira golfada de sangue, não falou de doença, mas disse: «Chegou o Esposo!» […] 
Quem sofre está na linha de frente.
No Movimento, temos uma ideia própria do doente, dos doentes.

Em outro diário de abril de 1968, escrevi: 
«No trabalho, nos triunfos […] que esta Obra exuberante e florescente exibe, nós, às vezes, somos tentados a ver, nas pessoas que sofrem, casos marginais que devem ser cuidados, visitados, e, possivelmente, ajudados para que retornem logo à atividade, como se essa fosse a nossa primeira obrigação, o centro da nossa vida. No entanto, não é assim. Aquelas pessoas que, entre nós, sofrem, que jazem doentes, que estão morrendo são as eleitas. Elas estão no centro da hierarquia de amor do Movimento. São aquelas que mais fazem, que mais realizam».1
Em outro momento, escrevi: 
«Devemos considerar os doentes como hóstias vivas que unem seu sofrimento ao de Cristo, dando assim a melhor contribuição para o desenvolvimento da Obra e da Igreja» (Estatutos Gerais da Obra de Maria, art. 52). 
Também o Papa João XXIII partilhava essa ideia. Ele escreveu a um bispo emérito: «Agora a sua tarefa mudou (com relação à Igreja): você deve rezar por ela. E isso não é menos importante do que a ação». 
A doença na visão de alguns santos.
É bonito e interessante, a esta altura, estabelecer uma relação com alguma regra de vida de  famílias religiosas, para ver como o Espírito Santo é constante ao sugerir aos diversos fundadores normas semelhantes às nossas. 
Na Regra de são Bento, por exemplo, lemos no capítulo 36: 
«Antes de tudo e acima de tudo se deve tratar dos enfermos [...]». 
Numa das primeiras Regras de São Francisco está escrito: 
«E peço ao irmão enfermo que por tudo dê graças ao Criador, e seu próprio desejo seja de ser assim como Deus quiser, são ou doente; pois todos os que Deus predestinou para a vida eterna, disciplina-os por estímulos [...], conforme diz o Senhor: "Eu repreendo e corrijo todos os que amo"» (Cap. X). 
Portanto, a doença é amor, é tudo amor aquilo que faz sofrer, tanto para são Francisco como para nós.
As doenças: provações para a provação final.
Além disso, no Movimento vemos as doenças, com sia carga de sofrimento, como provações de Deus para a provação final: a passagem para a Outra vida. 

Nos anos sessenta, escrevi: 
«Tornando-se homem, portanto, mortal, Deus nasceu nesta terra para morrer. E esse o sentido da vida: viver como o grão de trigo, cujo destino é morrer e apodrecer para a vida verdadeira e eterna. […]
Devemos encarar as doenças que nos atingem como degraus preparados pelo amor de Deus para escalarmos o cume, provações para "a provação": pequenas hóstias não perfeitamente consumadas, para a consumação final (cf. Jo 19, 30) completa que a todos espera. 
Assim, mortais com o Mortal, para ressurgir com Ele e iniciar uma Vida que não terá fim».2 
[...] 
E é bem conhecido o escrito intitulado: «A Sua, a nossa missa». Fala da dor. Talvez seja útil – neste tema – citar parte dele, porque podemos ler, também aqui, o sentido que doenças e sofrimentos têm para nós: 

«Se sofres, e teu sofrer é tanto
que te impede qualquer atividade, 
lembra-te da Missa. 
Na Missa, Jesus, hoje como outrora, 
não trabalha, não prega: 
Jesus sacrifica-se por amor. 
Na vida, 
podem-se fazer tantas coisas, 
dizer tantas palavras, 
mas a voz da dor, 
talvez surda e desconhecida pelos outros, 
da dor oferecida por amor, 
é a palavra mais forte, 
aquela que toca o Céu. 
Se sofres, 
imerge a tua dor na sua:
dize a tua Missa! [...] 
e deixa correr o teu sangue 
em benefício da humanidade: como Ele! 
A missa! 
Grande demais para ser entendida! 
A sua, a nossa missa».3
[…] 

(Publicado em Um Novo Caminho – Cidade Nova, São Paulo, 2004, Pág 102-106)

1Diário, 11.04.1968
2Chiara Lubich. «Começou tudo». Em: Escritos Espirituais 1. São Paulo: ed. Cidade Nova, 1998, p. 249-250
3Chiara Lubich. «A sua, a nossa missa». Em: op. cit., p. 47

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