Palavra de Vida de maio de 2005

Lemos aqui um comentário de Chiara Lubich às fortes, exigentes palavras de Jesus que, retornando ao Pai, nos pede para ser “como” Ele portadores da sua mensagem ao mundo. 

Era a noite de Páscoa. Jesus ressuscitado já tinha aparecido a Maria Madalena. Pedro e João tinham visto o túmulo vazio. E mesmo assim os discípulos continuavam isolados em casa, cheios de medo, até a hora em que o Ressuscitado se apresentou no meio deles, a portas fechadas, porque não existia mais barreira alguma que pudesse separá-los dos seus amigos.

É verdade que Jesus tinha partido, mas, conforme a sua promessa, agora voltava para ficar para sempre: “Ficou em meio a eles”; não era uma aparição momentânea, mas uma presença permanente! Desse momento em diante, os discípulos não estarão mais sozinhos e o temor cede lugar a uma profunda alegria: “Os discípulos, então, se alegraram por verem o Senhor”  (Jo 20, 20).
O Ressuscitado escancarou os corações deles e as portas da casa para o mundo inteiro, dizendo:

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

Jesus tinha sido enviado pelo Pai para reconciliar todos com Deus e recompor a unidade do gênero humano. Agora cabe aos seus discípulos continuar a edificação da Igreja. Assim como Jesus pôde cumprir o desígnio do Pai porque era uma só coisa com Ele, assim também eles poderão continuar sua altíssima missão porque o Ressuscitado está neles. Foi o que Jesus pediu ao Pai: “Eu neles” (Jo 17, 23).
Do Pai a Jesus, de Jesus aos apóstolos, dos apóstolos aos seus sucessores, o mandato nunca deixou de existir.
Mas também todo cristão deve sentir ressoar no seu coração essas palavras de Jesus. Com efeito, “existe na Igreja diversidade de serviços, mas unidade de missão” (Apostolicam Actuositatem, 2), ou seja, as vocações são muitas, mas todos somos chamados a evangelizar.

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

Para cumprir este mandato do Senhor, devemos fazer com que Ele viva em nós. De que modo? Sendo membros vivos da Igreja, identificando-nos com a Palavra de Deus, evangelizando primeiramente a nós mesmos.
É um dos deveres da “nova evangelização” anunciada por João Paulo II. Ele escreveu: “Alimentar-nos da Palavra para sermos ‘servos da Palavra’ no trabalho de evangelização: tal é, sem dúvida, uma prioridade da Igreja no início do novo milênio”  (Novo millenio ineunte, n. 40), porque “somente um homem transformado (...) pela lei do amor de Cristo e pela luz do Espírito Santo pode operar uma verdadeira metanoia (conversão) dos corações e da mente de outros homens, do ambiente, do país ou do mundo” (Aos peregrinos da diocese de Torun (Polônia), 19/2/1998).
Nos tempos atuais não bastam mais as palavras. “O homem de hoje escuta mais as testemunhas do que os mestres”  - notava já Paulo VI – “e quando escuta os mestres é porque eles são testemunhas” (Audiência geral, 2/10/1974). O anúncio do Evangelho será eficaz se for apoiado num testemunho de vida como o dos primeiros cristãos, que podiam dizer: “Anunciamo-vos o que vimos e ouvimos...” (1Jo 1, 1); será eficaz se for possível dizer de nós, como se dizia deles: “Vede como se amam, e estão prontos da dar a vida uns pelos outros” (Tertuliano, Apologético, 39, 7); será eficaz se concretizarmos o amor, doando, respondendo a quem se encontra em necessidade, e se soubermos dar alimento, roupa, casas a quem não tem, amizade a quem se encontra sozinho ou desesperado, apoio a quem está passando por momentos difíceis. 
Vivendo assim, testemunharemos o fascínio de Jesus e, se nos tornarmos “outros Cristo”, a sua obra continuará, inclusive por meio deste contributo.

“Como o Pai me enviou também eu vos envio.”

Foi essa a experiência de alguns médicos e enfermeiras nossos: em 1966 tomaram conhecimento da situação pela qual passava o nobre povo Bangwa, na República dos Camarões, o qual naquele período estava sendo castigado por graves doenças, com uma mortalidade infantil de 90% que o ameaçava de completa extinção.
Eles partiram da Europa para ficar com aquele povo. Mas sentiram que o seu primeiro dever era continuar a amar-se mutuamente para testemunhar o Evangelho. Amaram indistintamente a todos, um por um. Oferecendo seus serviços profissionais, abriram um ambulatório, que em pouco tempo transformou-se num hospital. A mortalidade infantil caiu para 2%. Em plena floresta, eles construíram uma pequena usina hidrelétrica, e depois uma escola de 1º e 2º graus. Com o tempo, e também contando com a ajuda da população local, abriram doze estradas de acesso para outras aldeias.
O amor concreto foi contagiante, e grande parte do povo começou a compartilhar a nova vida. Aldeias que antes estavam em luta se reconciliaram. Contendas sobre divisas territoriais foram resolvidas em harmonia. Vários reis de clãs diferentes fizeram um pacto de amor mútuo entre eles e vivem como irmãos, oferecendo, numa partilha concreta, um maravilhoso testemunho, um exemplo original e autêntico.

 

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